tantos dias se passaram
com o perigo à sua volta
e ela nem sequer
tinha consciência disso.
no seu casulo
a coitada permaneceu
e muito se fez
e ela se guardou.
pequena larva
horrenda
descuidada e
com pouca sorte
mas cheia
de esperança da sonhada
liberdade que veio
programada no seu dna.
agora que seu
casulo está tão escuro
como as cinzas
das cozinhas dos
castelos, pode ela
agora mostrar sua
metamorfose
em borboleta dourada
para o mundo ou
ela ainda tem trabalho
a fazer?
Sim! Sua hora de
exibir as belas asas
cor de ouro chegou!
o céu claro agora
é seu lugar.
Infiltrates Parte 1 - Que o raio me parta
Você já teve a sensação de que uma ideia entrou na sua cabeça como se fosse um raio caindo do céu? Ele vem sem aviso, sem piedade e com força suficiente para te matar. Coisa parecida acontece quando abrimos a janela, logo pela manhã cedo, e a luz do sol invade nosso quarto, deixando-nos temporariamente cegos.
Você não sabe se naquele momento recebeu um dom, se vai morrer ou se será um lindo dia. É inquietante não saber se essa sensação é realmente um dom. Eu não posso te explicar de onde essa ideia veio se você também não tiver tido semelhante experiência.
Eu estava em um bar tentando esquecer um pouco do que me havia acontecido a não muito tempo atrás. Pedi algumas doses de whisky, sempre 12 anos. Joguei conversa fora e falei com algumas pessoas sobre o meu livro que não saia da primeira página. Porre! O bar fecha. Hora de ir pra casa.
Luzes se apagando na rua escura de postes altos. Mais estou corajoso, pode ser o whisky. Meu andar parecia mais uma gangorra que balança de lá pra cá. Um segundo, uma bola de luz redonda que vem em minha direção, um chamado para que eu vá em sua direção, a explosão silenciosa que se seguiu e acaba-se uma vida tranquila na doce realidade.
Fui atingido por uma ideia que se formulava, uma semente que se germinava, uma faísca que começava a virar fogo. E nada disso tinha a ver com o meu livro de páginas brancas.
- Seria possível o que eu acabei de vislumbrar ser verdade? - pensei comigo mesmo, como se eu soubesse diferenciar a verdade da mentira. Só sei que sentia como se tivesse tido a cabeça partida ao meio com um machado e como se meu corpo flutuasse na vertical.
Senti-me tonto. Vomitei algumas vezes.
- Verdade, - sussurrei - agora desconheço essa palavra.
Durante alguns metros ainda cambaleei. Fiz o que qualquer um faria nesse momento: parei, respirei e pensei em tudo imóvel.
Encontrar um bilhete na cabeceira da cama do seu, até então, amado pai falando que tinha outra família e então teve que se mudar, abandonando você: antes fosse isso, embora tenha acontecido um mês atrás.
Ao chegar no meu apartamento, que mais parecia uma caixa de papelão e que era o único que eu podia pagar depois que abandonei a minha mãe em casa com meu irmão mais novo.
Encontrei minhas paredes pichadas e a porta arrombada. Eram três horas da madrugada. Foi então que eu percebi que tinha que voltar para meu emprego comum e refazer alguns planos. Logo depois acabei desistindo disso, porque não fazia sentido continuar com isso na cabeça e viver normalmente.
Passei o restante da madrugada conversando comigo mesmo e germinando aquela ideia. A madrugada foi longo e a partir disso nada mais seria o mesmo.
Você não sabe se naquele momento recebeu um dom, se vai morrer ou se será um lindo dia. É inquietante não saber se essa sensação é realmente um dom. Eu não posso te explicar de onde essa ideia veio se você também não tiver tido semelhante experiência.
Eu estava em um bar tentando esquecer um pouco do que me havia acontecido a não muito tempo atrás. Pedi algumas doses de whisky, sempre 12 anos. Joguei conversa fora e falei com algumas pessoas sobre o meu livro que não saia da primeira página. Porre! O bar fecha. Hora de ir pra casa.
Luzes se apagando na rua escura de postes altos. Mais estou corajoso, pode ser o whisky. Meu andar parecia mais uma gangorra que balança de lá pra cá. Um segundo, uma bola de luz redonda que vem em minha direção, um chamado para que eu vá em sua direção, a explosão silenciosa que se seguiu e acaba-se uma vida tranquila na doce realidade.
Fui atingido por uma ideia que se formulava, uma semente que se germinava, uma faísca que começava a virar fogo. E nada disso tinha a ver com o meu livro de páginas brancas.
- Seria possível o que eu acabei de vislumbrar ser verdade? - pensei comigo mesmo, como se eu soubesse diferenciar a verdade da mentira. Só sei que sentia como se tivesse tido a cabeça partida ao meio com um machado e como se meu corpo flutuasse na vertical.
Senti-me tonto. Vomitei algumas vezes.
- Verdade, - sussurrei - agora desconheço essa palavra.
Durante alguns metros ainda cambaleei. Fiz o que qualquer um faria nesse momento: parei, respirei e pensei em tudo imóvel.
Encontrar um bilhete na cabeceira da cama do seu, até então, amado pai falando que tinha outra família e então teve que se mudar, abandonando você: antes fosse isso, embora tenha acontecido um mês atrás.
Ao chegar no meu apartamento, que mais parecia uma caixa de papelão e que era o único que eu podia pagar depois que abandonei a minha mãe em casa com meu irmão mais novo.
Encontrei minhas paredes pichadas e a porta arrombada. Eram três horas da madrugada. Foi então que eu percebi que tinha que voltar para meu emprego comum e refazer alguns planos. Logo depois acabei desistindo disso, porque não fazia sentido continuar com isso na cabeça e viver normalmente.
Passei o restante da madrugada conversando comigo mesmo e germinando aquela ideia. A madrugada foi longo e a partir disso nada mais seria o mesmo.
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